O segundo combate
A entrega, paga com justiça
O primeiro problema é a comissão que te corrói. O segundo, toda a gente o vê e ninguém o resolve: o estafeta pago uma miséria. Também o enfrentamos — e aqui está como, sem zonas de sombra.
⚓ A entrega é um canal a chegar — ainda não está ativa. O que se segue descreve como a queremos construir (intenção e objetivos), não um serviço disponível hoje.
O problema que ninguém quer ver
Na uberização, o estafeta é uma variável que se espreme: estatuto precário, nenhuma proteção, rendimentos que se vão degradando. Toda a gente o sabe. Mas nada mexe, porque são os gigantes tecnológicos que impõem a sua visão — e ela convém às contas deles, não às pessoas.
Nós fizemos a escolha inversa: pagar aos nossos estafetas melhor do que ninguém, aqui em Tours — com uma ambição clara, a prazo: contratá-los como assalariados, com um verdadeiro contrato e verdadeiras proteções. Não por caridade: porque um serviço justo começa por pessoas bem tratadas. A única verdadeira questão é como o financiamos sem espremer ninguém — nem a tua margem, nem o cliente. Aqui está a resposta.
O clique: entregar custa-te muitas vezes menos do que servir na sala
Repete-se que «a entrega fica cara ao restaurante». Olha com mais atenção. Um lugar na sala é pessoal para receber, servir, levantar a mesa, uma mesa ocupada durante uma hora. Numa encomenda entregue, nada disso: não há serviço de sala a pagar.
Por outras palavras, boa parte do custo de serviço que gastas na sala não a gastas na entrega. É muitas vezes aí que está com que pagar dignamente à pessoa que traz a refeição — sem tirar nada mais do teu prato.
Quem paga a corrida — e como a tua margem fica protegida
A regra é simples e controla-la de ponta a ponta:
- Tu fixas a tua margem mínima. O mínimo que aceitas fazer numa encomenda entregue. É o teu limiar, decidido por ti.
- A tua participação é limitada por esse limiar. Situa-se entre a tua margem habitual e o teu mínimo — financiada pelo custo de serviço que a entrega te poupa. Nunca descemos abaixo do teu mínimo.
- O cliente paga a diferença, mostrada às claras no momento de encomendar. Sem preços inflacionados às escondidas, sem custos escondidos.
Exemplo ilustrativo — uma encomenda entregue de 30 €
- A corrida, paga dignamente (a nossa escolha) 7 € justos
- A tua participação (vinda da poupança no serviço) 3 €
- O cliente completa 4 €
- Fixaste um mínimo (ex.: 50% de margem). Como entregar te poupa o custo do serviço de sala, podes pôr 3 € sem nunca passares abaixo do teu limiar. O cliente vê 4 € de entrega, mostrados com clareza.
Resultado: o estafeta é pago dignamente, a tua margem fica acima do teu mínimo e o cliente paga o custo real — não um preço inflacionado para alimentar uma plataforma.
Nas grandes plataformas, o cliente paga muitas vezes o mesmo ou mais… mas o estafeta recebe menos, e a diferença desaparece em comissão.
Montantes dados a título de exemplo para ilustrar o princípio (a remuneração da corrida é o nosso compromisso, não uma tarifa imposta). Os limiares reais acertam-se com cada restaurador.
E nas minhas encomendas para levar ou à mesa?
Nenhum custo deste género: não há estafeta, logo não há nada a partilhar. No click and collect e na encomenda à mesa, são 0 € para ti, ponto final. A participação na entrega diz respeito apenas às encomendas realmente entregues — e só se propuseres a entrega.
Não confundir com a comissão: nunca cobramos uma percentagem sobre os teus pratos. Ficas com 100% do preço do que vendes. A entrega, essa, é um serviço real — pagar a quem a traz — cujo custo é partilhado e limitado, não uma portagem sobre a tua faturação. Ver também: como financiamos a plataforma.
Uma pergunta sobre este modelo? Escreve-nos para miam@captain.food — respondemos às claras. E se tens um restaurante ou um food truck em Tours, junta-te aos restauradores livres.